Um olhar para o passado da desigualdade educacional brasileira
A desigualdade
educacional é tema constantemente debatido, isto porque ela é vista por décadas
no território brasileiro. Levantamentos feitos por Nelson do Valle Silva e Carlos Hasenbalg no artigo “Tendências da Desigualdade Educacional no Brasil” nos mostram as
variantes que determinam essas diferenças: grupos de cor, de gênero, regiões e de renda per
capita familiar.
“A
Tabela 1 mostra que a
escolaridade média da população em 1976, na etapa final do chamado
"milagre econômico brasileiro", era de apenas 3,8 anos de estudo. Na
década seguinte esta média aumenta lentamente, em menos de um ano, passando
para 4,5 anos em 1986. Nos doze anos seguintes a escolarização média cresce
mais rapidamente, com uma elevação de 1,4 anos, chegando a quase 6 anos de
estudos completos em 1998. Estes números indicam claramente que as cortes de
idade mais jovens têm se beneficiado da expansão educacional ocorrida no país
nas últimas duas décadas.”
Tabela 1
Anos de Estudo das Pessoas de 15 Anos ou Mais,
segundo Cor, Sexo, Região e Quintos de Renda Familiar per capita
1976, 1986 e 1998
1976, 1986 e 1998
1976
|
1986
|
1998
|
|
Brasil
|
3,8
|
4,5
|
5,9
|
Brancos
|
4,5
|
5,4
|
6,8
|
Não-Brancos*
|
2,7
|
3,9
|
4,7
|
Ñ-B/B %
|
58,9
|
63,1
|
69,0
|
Homens
|
3,9
|
4,6
|
5,8
|
Mulheres
|
3,7
|
4,5
|
6,0
|
M/H %
|
94,9
|
98,0
|
103,6
|
Norte/Centro-Oeste**
|
4,5
|
4,8
|
6,0
|
Nordeste
|
2,4
|
3,1
|
4,5
|
Sudeste
|
4,5
|
5,2
|
6,6
|
Sul
|
4,0
|
4,8
|
6,3
|
Coeficiente
de Variação
|
0,203
|
0,150
|
0,111
|
1
|
1,4
|
2,0
|
3,3
|
2
|
2,1
|
2,8
|
4,1
|
3
|
2,9
|
3,8
|
4,9
|
4
|
4,2
|
5,0
|
6,4
|
5
|
6,8
|
7,9
|
9,4
|
+20/-20
|
4,8
|
4,0
|
2,9
|
Fonte: Tabulações especiais das PNADs de 1976, 1986
e 1998.
* Não-Brancos inclui pessoas de cor preta e parda.
** Somente população urbana da Região Norte.
* Não-Brancos inclui pessoas de cor preta e parda.
** Somente população urbana da Região Norte.
Observam-se medidas
políticas adotadas durante o período analisado que diminuíram as diferenças entre as
variantes. Contudo, a maior parte da melhoria é devida à mudança nas condições
de vida e à distribuição geográfica das famílias, decorrente da urbanização e
da transição demográfica, e a outra parte devem-se às melhorias efetivas no
desempenho do sistema educacional.
Alguns dados podem ser
acompanhados pela população no site Todos Pela Educação (http://www.todospelaeducacao.org.br/), referentes a educação das cinco regiões brasileiras. Um dado interessante que
encontramos é sobre a situação do percentual dos alunos que terminam o ensino
médio aos 19 anos. A tabela a seguir
mostra por região a quantidade de alunos concluintes, dados do ano de 2011.
Percentual dos
alunos que terminaram o EM aos 19 anos
|
|
Norte
|
35,1%
|
Nordeste
|
41,4%
|
Sul
|
55,8%
|
Centro-oeste
|
58,4%
|
Sudeste
|
59,8%
|
Assim constatamos que a
diferença do primeiro estado, Norte, com 35,1%, e do estado Sudeste, com
59,8%, é de 24,7%. Esse valor é bastante
significativo, e é reflexo das medidas governamentais de cada região e das condições
de vida em que os alunos estão imersos.
São necessárias medidas políticas públicas específicas para problemas específicos, adequadas a cada caso, que possam garantir uma atuação mais estratégica para lidar com a aprendizagem de todos e o combate à desigualdade. Em qualquer sala de aula, esteja ele em qualquer região do país, seja ele de família de baixa ou de alta renda, nenhum aluno deve ter uma educação desigual em relação a outro aluno. Visto que o direito à educação de qualidade é universal e igual para todos
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