terça-feira, 26 de novembro de 2013

DESIGUALDADE EDUCACIONAL


Vivemos em uma sociedade marcada historicamente pela desigualdade e discriminação. O Brasil é um país rico no que diz respeito ao aspecto cultural, em suas belezas naturais, com um povo extremamente hospitaleiro, características essenciais às quais poderiam situar o Brasil no topo dos países mais avançados do mundo, mas, por outro lado, o Brasil é também um país de grandes desigualdades e entre elas, podemos destacar a desigualdade educacional, a qual deixa o  nosso país em situação extremamente desconfortável em relação aos demais.

No que diz respeito a esse tema, podemos dizer que a desigualdade educacional está diretamente relacionada às contradições e aos problemas sociais existentes no Brasil, principalmente no que diz respeito à distribuição de renda, visto que quanto maior o poder aquisitivo, melhor serão as condições e as qualidades de ensino e à medida que esse poder aquisitivo decresce, a qualidade de ensino diminui na mesma proporção. Desta forma, sendo a educação privilégio de uma minoria, continuamos com um sistema dual de ensino, no qual a qualidade das escolas é proporcional à posição social de seus educandos.

O processo educacional existente atualmente precisa ser revisto o quanto antes pelas autoridades, e essa mudança deve ocorrer primeiramente na educação básica e fundamental, através de investimentos em todos os sentidos, quais sejam, estruturais, financeiros e principalmente profissionais, através de contratação e valorização da carreira dos professores.


O desenvolvimento de um país é reflexo do desenvolvimento educacional de seu povo. A educação de qualidade é um direito de todos e um dever do Estado, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o futuro.

Por: Alessandra Simas

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Redução da desigualdade depende mais da Educação

Podemos absorver do texto que tais programas que lutam para a diminuição da desigualdade e melhoria de condições de vida, programas que têm o mérito de condicionar o recebimento do benefício à assiduidade das crianças nas escolas e adesão às campanhas de vacinação infantil, o Bolsa Família, entre outros, atingiram seu limite como instrumento de distribuição de renda. O processo de redução de desigualdade estancou e cada vez se torna mais perceptível que a educação é à chave para o Brasil se tornar um país menos desigual, pois haverá de fato oportunidades para os que estiverem em condições, jovens de todos os estratos sociais poderão aproveitá-las se forem qualificados adequadamente.


Redução da desigualdade depende mais da Educação


Do retrato valioso que o IBGE mostrou na Pnad 2012 pode-se concluir que os programas de transferência direta de renda já atingiram seu limite no país.


A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que o IBGE realiza anualmente (com exceção daqueles em que são feitos os Censos Demográficos), permite que o país acompanhe a evolução de indicadores socioeconômicos importantes, e serve como instrumento de orientação de políticas públicas, e mesmo para investimentos privados.
A Pnad de 2012, divulgada há poucos dias, revela, por exemplo, que o processo de redução de desigualdade estancou. E isso sem que tenha havido retrocesso nos números do emprego ou no acesso a comodidades da vida moderna. É crescente, aliás, a percentagem de domicílios dotados de eletrodomésticos e conexão com a internet, entre outros. Houve, inclusive, melhora nos índices relativos ao saneamento básico, ainda que insatisfatórios. A Pesquisa é um retrato valioso, porém a avaliação analítica não cabe ao IBGE, mas a instituições que têm se dedicado ao tema, como a Fundação Getúlio Vargas e o IPEA.
E numa primeira análise desse retrato, o que se constata é que processo de redução de desigualdade estagnou sem que houvesse alteração nos programas de transferência direta de renda, tipo Bolsa Família. Como era previsto, tais programas, que têm o mérito de condicionar o recebimento do benefício à assiduidade das crianças nas escolas e adesão às campanhas de vacinação infantil, atingiram seu limite como instrumento de distribuição de renda.
Abrangendo um universo de mais de 13 milhões de famílias ou 50 milhões de pessoas, um quarto de toda a população, a transferência de renda via Bolsa Família é um mecanismo de combate à miséria no curto prazo. Mas, como a própria concepção do programa admite sem “portas de saída” pouco progresso haverá na redução a desigualdade daqui para frente. A inclusão no mercado de trabalho é, sem dúvida, o caminho mais eficaz para que o país avance socialmente. Em função dos investimentos que terão de serem realizadas nos próximos anos, especialmente na infraestrutura, as oportunidades tendem a se multiplicar. Jovens de todos os estratos sociais poderão aproveitá-las se forem qualificados adequadamente. Terão melhor desempenho os que contarem com uma boa educação básica e concluírem o ensino médio, podendo optar pelo técnico, por escolha pessoal ou se tal opção estiver de fato disponível na rede pública. Os mais aplicados estarão aptos a buscar a graduação superior e a pós-graduação.
Portanto, a educação é a chave para o Brasil se tornar efetivamente menos desigual, e não se trata de uma solução mágica, pois haverá de fato oportunidades para os que estiverem em condições de aproveitá-las. Com essa porta de saída, os programas de transferência direta de renda terão cumprido seu papel e perderão, gradualmente, a finalidade.


domingo, 17 de novembro de 2013

Embora tenha avançado, há muitas diferenças no acesso à educação para ricos e pobres, brancos e negros, populações urbana e rural, central e periférica.


A falta de investimento mora logo ao lado.

Vencer a desigualdade ainda é um dos grandes desafios do Brasil quando se trata de melhorar a educação. Apesar de algumas desigualdades ainda estarem firmes, especialmente as regionais, a educação brasileira registrou muitos avanços nos últimos 20 anos.

A desigualdade social é consequência da má distribuição da riqueza, fato constatado na maioria dos países. Isso gera um contraste econômico e social entre a população, pois apenas uma pequena parcela da sociedade detém a maioria dos recursos econômicos, enquanto que a maioria se “contenta” com a menor parcela dos bens. 

Outro fator importante que justifica tais desigualdades é a falta de investimento em infraestrutura nas áreas periféricas das cidades, além disso as questões de segurança desestimulam as ações que busquem resolver esses problemas.

Não é à toa que os melhores índices educacionais acompanham as melhores condições de vida da população. Questões relativas às condições sociais como moradia, acessibilidade e políticas inclusivas colaboram para índices muito distantes dos aceitáveis pela comunidade internacional em termos educacionais. O analfabetismo na população brasileira de 15 anos ou mais ainda é considerado muito alto: 9,7% da população nessa faixa não sabe ler nem escrever, índice superado positivamente por outros países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina, o que coloca o Brasil em situação vexatória.

Do exposto,  ressalta-se ainda que é importante uma maior articulação entre as políticas educacionais do município, do estado e do governo federal, a elaboração de planos de educação regionais com metas específicas para os distritos da cidade e a real efetivação da rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente. Além do mais, faz-se mister, incentivos econômicos e de desenvolvimento profissional para educadores que se propunham a desenvolver suas atividades nas áreas menos favorecidas, o que proporcionaria vencer  um "histórico no país de violação do direito à educação" assumindo na educação a "perspectiva do direito à cidade" como "um direito humano em interdependência com outros direitos humanos", como saúde, moradia, alimentação e meio ambiente.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Escola e as Desigualdades Sociais

                                                                                       Raquel C. Valerio

     Resumo
   O presente artigo, busca trazer a tela, o debate em torno da relação entre escola e reproducaçao das desigualdades sociais. Partindo das perceptivas históricas e sociológicas, busca-se discutir as principais perceptivas teóricas em torno da questão  buscando evidenciar divergências e convergências do debate.

      As Desigualdades Educacionais
   A desigualdade social vem sendo estudada por diferentes abordagens ao longo da história do pensamento: filósofos, teólogos, cientistas, literatos etc., lançaram teorias a fim de explicar a origem e função das desigualdades. Nesse processo de produção de saberes e reflexões, destaca-se a obra de Rousseau (1712-1778) sobre a origem das desigualdades entre os homens..
   A argumentação de Rousseau (1989) organizou-se na tentativa de esboçar uma explicação geral das desigualdades, distinguindo-as em dois tipos: a desigualdade “natural ou física”, estabelecida pela natureza, consistindo na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das desigualdades do espírito e da alma; e a desigualdade “moral ou política”, que dependeria de uma espécie de convenção que é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. A desigualdade “moral” representaria os privilégios de uns em detrimento de outros, a obediência de uns para com os outros, sendo que não está essencialmente ligada com a desigualdade natural.
   Contudo, as explicações século XVIII sobre as desigualdades reproduzidas pelas sociedades não são mais aceitas e legitimas como censo científico. As desigualdades sociais apresentam hoje, princípios próprio dos contextos históricos,  políticos e econômicos, centrado em torno das relações entre as condições de saber/poder, onde noções como exclusão/inclusão, de desenvolvimento desigual, segregação social etc., são utilizados para explica-las

       A abordagem Sociológica

    No campo das ciências da educação, a pesquisa apoiada na Teoria Social vem geralmente fundamentando pesquisas sobre as desigualdades, por meio da análise da estruturação e hierarquização social. Assim, há uma série de estudos e reflexões que podem ser considerados como clássicos, pois condensaram entendimentos, marcando a história do pensamento social, tornando-se referências de inúmeras linhas de pesquisas. Entre esses autores podemos citar resumidamente destacam-se no Brasil: Emile Durkheim, Max Weber e Karl Marx. E teóricos contemporâneos como: Pierre Bourdieu, Antony Giddens, Manuel Casttel, Robert Castel entre outros tantos autores de maior ou menor relevância que contribuíram para o entendimento sobre as desigualdades sociais.
   O pensar as desigualdades educacionais no Brasil, é um fato compartilhado pela intelectualidade e políticos brasileiros desde o século XIX. É uma marca da formação da republica brasileira. O processo de produção de reflexões e conhecimentos sobre os sistemas educativos, foi sendo diretamente relacionado aos primeiros projetos de escolarização de massas desenvolvidos no país. E em seguida, são alimentados pelas demandas e problemas de administração e controle de Estado, que os projetos/processos de industrialização e o conseqüente crescimento da população acarretaram.
   No processo de construção de conhecimentos sobre as desigualdades educacionais, a década 1970 destacou-se por marca um projeto de pesquisas sobre a educação que tomou repercussões planetárias. Nesse contexto, o papel da Sociologia da Educação Francesa, contribuiu para compreendermos as desigualdades sociais perante a escola, de modo a questionar as desigualdades das oportunidades. Investigou-se amplamente a função da escola em relação a posição das famílias dos alunos nas relações de produção econômica (BAUDELOT e ESTABLET, 1971). Também se buscou compreender a estrutura de distribuição do dos recursos socias, o que permitiu o desenvolvimento uma teoria sócio-política e econômica para a educação, bem como criar novos conceitos como o de “capital cultural”, entre outras contribuições ao entendimento da reprodução das desigualdades sociais (BOURDIEU; PASSERON, 1970).

      Considerações Finais
   Como ponto de convergência entre as diferentes abordagens dos processos de produção de desigualdades educacionais, a idéia de exclusão social ainda é uma noção emergente, observada nas agendas de políticas do Estado, principalmente na afirmação
e no uso da idéia de inclusão. A noção de exclusão, no século XXI, vem sendo utilizada geralmente acompanhada de princípios explicativos como enunciados que destacam o papel da dimensão político-econômica, abordando-a como um processo que se contrapõe à capacidade do papel redistributivo da educação enquanto recurso socialmente produzido.
    Como uma síntese interessante dos somatórios da produção de saberes em torno da idéia de exclusão, um exemplo de leitura teórica da operacionalidade das práticas e dos mecanismos concretos da ação cotidiana da exclusão/inclusão social, é descrita na idéia de “dispositivos de exclusão” trazida por Stoer,  Magalhães e Rodrigues (2004).
   Partindo da multidimensionalidade dos processos de exclusão, os autores apontam a exclusão educacional, como a principal dimensão do processo de exclusão social. A exclusão, segundo os autores, se fundamenta na distribuição desigual e injusta da educação, em virtude das lógicas de distribuição e apropriação de recursos, que se operacionalizam por meio de dispositivos de poder na dimensão do corpo, da identidade, da cidadania, do trabalho e do território. Sendo indissociáveis a dimensão do lugar nos processos e dispositivos de produção/afirmação de identidades e diferenças.
Dentre as principais convergências entre as pesquisas em torno da exclusão social/inclusão, refere-se ao entendimento que a relação entre a exclusão e inclusão, remete-se ao controle e ordenamento social, pois o(s) fenômeno(s) relacionados a reprodução das desigualdades, se realiza(m) na educação e no processo de ensino por dispositivos como a reprovação e o abandono/evasão.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Triste Realidade

As desigualdades educacionais mostram um atraso do Brasil na questão do subdesenvolvimento regional, social, econômico, periférico e principalmente político, por mais que os números estão ai para comprovar o nosso atraso o governo aparenta não se preocupar muito com essa triste realidade, e para se distanciar do problema a culpa acaba sendo transportada para os professores e agentes educacionais.  Dentro dessa realidade vemos políticas que prometem reverte a situação para ter um pais mais igualitário, que são lentas e que na minoria das vezes tem o resultado esperado, adiando cada vez mais a quebra dessa desigualdade. Como a população principalmente de baixa renda não tem voz o que resta é esperar  aparecer pessoas que realmente estejam dispostas  a mudar o pais, pois é pela educação que podemos ter um pais melhor, para que assim todos possam ter seus direitos com uma  qualidade digna e que acima de tudo se possa ter orgulho da escola em que se estuda.


Juliana Mendes

domingo, 10 de novembro de 2013

Apesar de avanços, há muita desigualdade na educação

 
A análise do texto mostra que, apesar das politicas publicas no combate da desigualdade educacional nas ultimas décadas, ainda é recorrente o descaso com todo processo de escolarização. O estudo do Ipea conclui que o progresso nesta área ainda é lento comparado a países vizinhos, demonstrando os impactos desta falta desenvolvimento, na vida educacional e social da população.

 
 
Apesar de avanços, há muita desigualdade na educação
 
 
Estudo do Ipea mostra diferenças no acesso à educação para ricos e pobres, brancos e negros e população urbana e rural
 
A desigualdade ainda é um dos grandes desafios do Brasil quando se trata de melhorar a educação. Essa é uma das conclusões do Comunicado do Ipea n° 66: PNAD 2009 - Primeiras Análises: Situação da educação brasileira - avanços e problemas. O estudo, lançado nesta quinta-feira, 18, traz uma análise da educação no período de 1992 a 2009 e traça um quadro detalhado da atual situação da escolarização da população brasileira com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE).
Para o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, a educação brasileira registrou muitos avanços nos últimos 20 anos, mas algumas desigualdades ainda estão firmes, especialmente as regionais. “Teremos de ter um conjunto de intervenções nas esferas federal, estadual e municipal para tentar diminuir essas desigualdades regionais. Também é preciso combater as desigualdades de raça e cor com políticas afirmativas e promover crescimento de renda”, disse, destacando que desigualdades bastante expressivas são encontradas entre a população urbana e rural.
 
Analfabetismo
Segundo o diretor, no Brasil, o analfabetismo na população de 15 anos ou mais ainda é considerado muito alto: 9,7% da população nessa faixa não sabe ler nem escrever. “Estamos em situação muito pior que a de países desenvolvidos. Não é nem preciso ir tão longe, já que outros países da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina apresentam índices melhores que os do Brasil”.
 
Grandes diferenças são encontradas entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% contra 13,4%), e das regiões Sul e Sudeste (5,5% contra 18,7%). Quando comparados os 20% mais ricos da população e os 20 % mais pobres, a diferença também é grande: 2% contra 18,1%. Quanto à idade, a faixa acima de 40 anos registra o maior percentual: 16,5% de pessoas que não sabem ler e escrever.
  
Anos de estudo
A média de anos de estudo na população com 15 anos ou mais de idade é de 7,5, abaixo do mínimo de oito anos previsto na Constituição Federal. “Estamos muito longe de atingir indicador aceitável. Como a taxa de crescimento anual tem sido de 0,14 ano, podemos concluir que ainda faltam quatro ou cinco anos para chegarmos ao mínimo (ensino fundamental). Se considerarmos os 11 anos, tempo necessário para conquistar o ensino médio, o período será ainda mais longo”.
 
Defasagem
Outro problema enfrentado pela educação brasileira é falta de adequação da idade ao grau de ensino. Na faixa entre 15 e 17 anos, mais de 85% das pessoas estão na escola, mas apenas 50,9% frequentam o ensino médio. “O índice de adequação diminui conforme aumenta a idade”, explicou o diretor.
 
Para ele, o baixo índice de conclusão, outro problema abordado no estudo, reflete dificuldades não só na rede escolar como também na vida dos alunos. Atualmente, apenas 66,6% dos alunos que entram no ensino médio conseguem concluí-lo. “Várias políticas públicas têm cooperado com queda da evasão, como é o caso do Bolsa Família, que ajuda a reter o aluno e evitar que ele saia da escola para trabalhar”, afirmou Jorge.
 
Hiato Educacional
A quantidade média de anos de estudo que os brasileiros abaixo da meta da educação (8 anos) precisariam para atingi-la, ou hiato educacional, tem caído, especialmente entre as faixas mais jovens da população. Entre as pessoas com 30 anos ou mais, o hiato é de 5,1 anos, o que fica abaixo da metade da meta. Já na população entre 15 e 17 anos, o hiato cai para 2,8 anos.
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Atraso na educação explica 100% da desigualdade de renda


Ao fazer uma análise da desigualdade da renda entre as regiões brasileiras, percebe-se que as diferenças no acesso a uma educação de qualidade e no desempenho entre alunos de diferentes classes sociais são a maior origem dessa desigualdade no Brasil, afinal a educação é uma forma de política de combate à desigualdade social, porém pode agravar mais ainda isto, causando até prejuízos na economia nacional





17/06/2013 - 03h00
Atraso na educação explica 100% da desigualdade de renda, diz economista

ÉRICA FRAGA

DE SÃO PAULO


Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil.
A conclusão é do economista Alexandre Rands, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, que tem uma vasta produção acadêmica sobre esse tema.
Seu diagnóstico, se correto, significa que o país investe em políticas equivocadas há décadas.
Segundo Rands, foi o caso de incentivos para o desenvolvimento da indústria de regiões mais pobres e continua sendo o caso de subsídios públicos a setores empresariais específicos.
Ele argumenta que no mercado de capital físico o investimento funciona de forma razoavelmente eficiente.
O mesmo não vale para o setor de capital humano. "Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos", afirma.
Por isso, as desigualdades educacionais tendem a se perpetuar se não houver interferência do governo.
Apesar de melhoras, com políticas que tentam compensar a baixa capacidade de investimento das regiões mais pobres, os avanços do Brasil nessa área têm sido insuficientes, diz Rands.

Folha - De onde vêm as desigualdades regionais?
Alexandre Rands - Existem teorias diferentes. O meu entendimento hoje, com base nos estudos que tenho visto para alguns países, como os EUA, e nos meus próprios estudos para o Brasil, é que é possível explicar 100% das desigualdades só pelas diferenças em capital humano. Se você corrigir o nível médio de instrução da região Nordeste em relação à região Sudeste, você corrigirá a desigualdade entre essas regiões.


Mas a desigualdade de renda caiu no país, certo?
Você vê uma certa melhora da participação do Nordeste. Nossa estimativa é que hoje o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Nordeste deve estar perto de 50% da média nacional. Há cinco anos, era 45%. Então, melhorou, mas a desigualdade ainda é muito elevada.

A remuneração por mão de obra qualificada continua sendo muito alta no país. Portanto, as regiões em que há gente com menos qualificação continuam com renda per capita muito mais baixa.

Investimentos em educação seriam a solução para reduzir a desigualdade?
Sim, essas são as políticas fundamentais para você eliminar as desigualdades regionais. Você precisa mudar o nível médio de educação -considerando qualidade e quantidade da educação- nos municípios.


Então o Brasil passou décadas indo na direção errada, investindo, por exemplo, em políticas de industrialização e desenvolvimento regional?
Totalmente errada, porque partimos dos pressupostos equivocados. Colocando de forma bem simples, há na economia quatro fatores de produção: capital físico, capital humano, trabalho e recursos naturais.

Toda a nossa política supôs que os mercados para capital humano, trabalho e recursos naturais funcionavam razoavelmente bem e que o problema estava no mercado para capital físico.
Então, você teria que subsidiar o capital físico nas regiões mais pobres para poder aumentar sua rentabilidade e atrair mais investimentos. Essa é a base da tese de Celso Furtado, na qual se baseou a política regional brasileira.
Se eu estiver certo, essa lógica está equivocada. Os mercados para capital físico, trabalho e recursos naturais funcionam razoavelmente bem. O que não funciona é o capital humano. É aí que precisamos ter investimentos públicos. Se tivéssemos feito isso na década de 60, hoje teríamos um país altamente equilibrado regionalmente.

Continuamos com as políticas erradas atualmente?
Estamos longe ainda. Estamos gastando muito ainda com políticas que não são adequadas, com financiamentos para investimento de empresa, subsidiando crédito, o que não é necessário.

E hoje a nossa principal política para combater a desigualdade é por meio de transferência de renda para os mais pobres, o Bolsa Família. Este é um programa que tem mesmo de existir, mas você não tem uma política para mudança agressiva dos desequilíbrios regionais.
Os gastos com educação nas regiões mais pobres ainda são muito inferiores aos no Sudeste. Ou seja, ainda estamos reproduzindo as desigualdades regionais.

Mas o Brasil está corrigindo as desigualdades?
O que a gente corrige hoje é praticamente nada. Como os gastos em educação têm escala, quando gasta menos nas regiões mais pobres, você tem um impacto menor.

Quando termina a escola no Nordeste, o aluno sai com capacidade não muito superior a 50% da capacidade do estudante do Sudeste. Talvez até pior do que isso.
Como as escolas aqui [no Nordeste] são muito ruins, então a qualidade do aluno que sai é muito ruim.

A existência de desigualdade de renda em um país é necessariamente ruim?
A desigualdade de oportunidades entre indivíduos é problemática. É o caso de indivíduos que, por seus atributos pessoais, teriam condição de prosperar muito e não o fazem por falta de oportunidades.

Aí, há desperdício de potenciais talentos no país.
Agora, a desigualdade de renda que ocorre depois de você ter dado oportunidade igual aos indivíduos não é prejudicial.

Que países são exemplos de cada caso?
Nos EUA, boa parte da população branca tem nível de oportunidade de se aprimorar e de chegar no mercado com potencial de renda alta semelhante ao que ocorre na Suécia, por exemplo.

Só que o mercado de trabalho na Suécia equaliza rendas, tem sistema de impostos e possibilidades de carreira nas empresas que travam muito a geração de desigualdade a partir daí.
Nos EUA, isso não ocorre. A economia americana promove a remuneração por trabalho adicional. É um mercado mais livre. Essa desigualdade americana é favorável a partir desse ponto.

Por que é favorável?
Porque leva a um maior esforço por parte das pessoas. Mas essa característica dos EUA só vale para os brancos. Se você considerar os negros e os latinos, até os 20 anos, você já gerou uma desigualdade brutal, que na Suécia não existe.

Essa desigualdade até os 20 anos é ruim porque desperdiça muito talento potencial, prejudicando o crescimento da economia.

Em qual desses contextos, a desigualdade brasileira se encaixa?
O Brasil tem muita desigualdade, maior do que a americana até os 20 anos, de qualificação. E, depois dos 20 anos, temos uma economia razoavelmente livre, semelhante à americana.


Investimentos em educação tiveram papel crucial na Coreia do Sul, onde a renda per capita deu um salto?
Lá mais do que tudo foi capital humano. Há mais estudantes na Coreia do Sul indo para a universidade do que nos EUA. A Coreia chegou a ter uma situação que não ocorreu nem nos EUA, em que escolas públicas são melhores do que as privadas.


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1296185-educacao-explica-100-da-desigualdade-de-renda.shtml


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desigualdade no sistema educacional brasileiro

 

 

 Em uma entrevista ,Priscila Cruz, diretora-executiva do TPE, dá seu relato sobre o sistema educacional  brasileiro, que é desigual por possuir diversos entraves, sendo um complexo sistema, que ainda assim é tolerado pelos brasileiros (assim como diversas outras desigualdades são toleradas). Evidencia o ciclo vicioso em que as desigualdades educacionais aumentam a desigualdade social, e que ,assim como a desigualdade educacional é resultada de diversos fatores, também para a resolução dessa desigualdade, é necessário um complexo processo: de interação entre políticas públicas, ações sociais, parlamentares, o reconhecimento do profissional do conhecimento ,e sistema de avaliação da educação efetivo nas instituições de ensino  para que assim possa ser desenvolvida uma equidade educacional, que é um direito de todos.

 

  "Desigualdade educacional ainda é totalmente tolerada no Brasil"

Para Priscila Cruz, diretora-executiva do TPE, falta de equidade tem de ser combatida

Da Redação do Todos Pela Educação
O Brasil é um País com alta desigualdade social e a Educação é uma das principais políticas capazes de diminuir desvantagens socioeconômicas. No entanto, segundo Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação, "hoje, um grande problema que possuímos é uma imensa desigualdade educacional, que, infelizmente, é totalmente tolerada pelos brasileiros".
Segundo Priscila, é preciso que o País adote medidas e estratégias diferenciadas, de acordo com as várias realidades que coexistem nos sistemas de ensino. Na entrevista abaixo, a administradora e bacharel em direito mostra como a Educação é um complexo sistema. Confira:

Todos Pela Educação – Em sua opinião, quais são os principais gargalos da Educação no Brasil?
Priscila Cruz – Os sistemas educacionais são arranjos delicados, que têm os alunos no centro. Hoje, um grande problema que possuímos é uma imensa desigualdade educacional, que, infelizmente, é totalmente tolerada pelos brasileiros.

TPE – O que pode ser feito para diminuir a desigualdade educacional?
Priscila – É preciso dar mais para quem tem menos, e ter estratégias diferenciadas, de acordo com as diferentes realidades de aprendizagem. A Educação é o principal componente para combatermos a pobreza e a desigualdade. Se a desigualdade na Educação amplia a desigualdade social, a equidade educacional pode tornar o ciclo vicioso em ciclo virtuoso.

TPE – E como trabalhar isso na prática?
Priscila – Na Educação, vários fatores são interligados, então, precisamos ter uma sintonia entre os trabalhos parlamentares, as políticas, as ações nas escolas e a participação social. Também as políticas precisam estar em sintonia entre si. Só com essa combinação podemos garantir que cada criança e jovem tenha acesso à Educação de qualidade.

TPE – Hoje, o magistério não é uma profissão atraente. Qual é o impacto disso na Educação e o que precisamos fazer para que se torne uma carreira interessante para os jovens?
Priscila – Só teremos Educação de qualidade com bons professores e, para isso, é preciso atrair para a carreira do magistério os melhores alunos egressos do Ensino Médio. Essa carreira precisa ter atratividade suficiente, pois "concorre" com outras carreiras que são mais rentáveis ou têm mais prestígio. Assim, é necessário que o salário dos professores se aproxime do praticado entre os profissionais com a mesma escolaridade; que o magistério seja reconhecido como a mais importante das profissões, tanto por parte dos governos quanto da sociedade e das famílias; e que a formação inicial e a em serviço prepare os professores para o pleno desenvolvimento de suas atividades em sala de aula e para o trabalho em equipe com os colegas da escola.

TPE – No Brasil, não há expectativas de aprendizagem definidas. Isso atrapalha o trabalho do professor?
Priscila – Sim, claro. Quando conversamos com os professores de todo o País, percebemos um sentimento de isolamento, pois é esperado algo deles que eles mesmos não sabem ao certo o que é. Não há uma definição do que deve ser ensinado e aprendido. Se entendemos que a Educação é um direito que se expressa na aprendizagem, então, nada mais necessário do que a definição das expectativas de aprendizagem para cada série.

TPE – Como os gestores das escolas e das redes podem apoiar o trabalho dos professores?
Priscila – Os gestores de rede, as grandes políticas e os professores precisam se alinhar no vetor da qualidade do ensino. Um dos fundamentos de uma boa gestão é ter um diagnóstico preciso, e ele se dá, nas escolas, por meio das avaliações. Então, as avaliações têm de se tornar um instrumento para fortalecer o trabalho do professor na sala de aula. E isso está intimamente relacionado com a definição das expectativas de aprendizado.

TPE – Na sua opinião, os gestores, os docentes e as famílias são favoráveis a avaliações?
Priscila – Felizmente, a maioria das pessoas entende e concorda com a importância de gerir com base em informações das avaliações. O que é menos debatida é a condição da avaliação como um dos princípios do direito de aprender. É preciso verificar que os estudantes aprenderam o conteúdo, para termos a garantia efetivada do direito ao aprendizado. E por isso é tão necessário que a divulgação dos resultados das provas seja célere, assim, os dados podem ser usados com eficiência, dando condições para que os gestores e professores corrijam rumos ou fortaleçam os bons caminhos.
Como a Educação é um direito fundamental, ela é regida pelos princípios da universalização (todos), da equidade (cada um) e da verificação, para que todos e cada um dos estudantes aprendam.

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/17255/desigualdade-educacional-ainda-e-totalmente-tolerada-no-brasil

 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Desigualdade no sistema educacional brasileiro é herança do período militar

Esvaziamento do ensino superior público divide opiniões, mas violência repressiva, falta de oportunidades e despolitizações da sociedade surgem como símbolos do modelo deixado pela ditadura militar. 

Publicado em 30/03/2012, 08:30



 Alunos da Escola Don José Alvarez 
após o desfile do Dia da Pátria do ano de 1965, no Amazonas 


São Paulo – Infinidade de universidades privadas, licenciatura em menor tempo, grade de disciplinas engessada e o fechamento do ensino superior às classes baixas são termos que soam naturais aos ouvidos habituados ao modelo educacional brasileiro. Este modelo, porém, aos poucos transformado, teve origem na política adotada pela ditadura iniciada com o golpe de 1º de abril de 1964.

Como o apoio ideológico da ditadura era dado por setores da classe média, foi em nome dela que o governo militar trabalhou, principalmente, na perspectiva de políticas de educação.

Para a filósofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, os estratos médios não tinham poder político nem econômico. "Para o governo militar, a classe média só tinha poder ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média", argumenta.

Com a adoção do modelo norte-americano por meio da parceira entre o Ministério da Educação do governo Castelo Branco (1964-1967) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), e a aplicação de uma política educacional mais voltada à economia, o ensino no Brasil deixava de ter a finalidade social e passava a ser, exclusivamente, direcionado à formação profissional de estudantes. Neste período, a transferência do peso do ensino público para o privado começava a se concretizar.

Segundo a professora do departamento de sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria José de Rezende, é neste momento da história que os procedimentos adotados caminhavam contra aquilo que havia sido amplamente discutido desde os anos 1930: a criação de uma educação pertinente à necessidade brasileira, com participação direta da sociedade. "A herança mais forte daquele período é a dificuldade de se estabelecer o processo de educação como um todo, com caráter inclusivo e de igualdade de oportunidade", defende a professora.


Educação pública x educação privada

Para Marilena Chauí, o desinteresse em investir no ensino superior público, sem verba ou incentivo a laboratórios e bibliotecas, teve como principal motivo a mudança para uma política capitalista que visava, prioritariamente, à formação rápida de mão de obra "dócil" para o mercado de trabalho. "Além disso, eles criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu", relembra Chauí.

Entretanto, segundo o professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), João Roberto Martins, à época da chegada dos militares ao poder, o número de estudantes matriculados crescia consideravelmente, resultando no que foi chamado de "problemas dos excedente", que representava um número maior de pessoas aprovadas nos vestibulares do que as vagas oferecidas. Diante disso, a pressão popular exercida fez com que o governo incentivasse o crescimento de vagas recorrendo às universidades privadas.

Martins sublinha que, apesar da aparente ambiguidade em investir no setor particular, o governo militar, à mesma medida, não reduziu os aportes no ensino superior público. "De certa maneira, o regime autoritário achava que precisava das universidades para realizar o que na época passou a se chamar de Projeto Brasil Potência. Então na verdade não faltaram verbas para os institutos e programas de pesquisa. E, apesar de um regime ditatorial, houve sim apoio a pesquisas e uma grande expansão do sistema brasileiro de pós-graduação", pontuou.

A tentativa de calar quem dava voz à sociedade
Militar em sala de aula, muitas vezes fazendo o papel do professor, não foi uma cena incomum naquele período. A repressão contra qualquer tipo de pensamento diferente daquele que estava sendo difundido e politizado representava motivo, sem contestação, para censurar no leciona mento de disciplina e para prisões arbitrárias de professores e líderes estudantis.

Marilena Chauí, que presenciou o arriscado convívio entre militares, estudantes e docentes, conta como foi a resistência e o dia a dia das universidades naquele período: "Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer com o risco que você corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas".


Uma opinião franca

O jornalista Átila Nunes, em conversa franca no programa "Reclamar Adianta", fala sobre a educação brasileira. Ele aponta que as diferenças sociais influenciam no aprendizado dos alunos: regiões mais pobres e alunos cujas mães tiveram baixa escolaridade tendem a ter baixo rendimento escolar. 
O país precisa aplicar o slogan que carrega "Brasil: um país de todos", pois para algumas crianças ele ainda não é verdadeiro.
Confira, na íntegra, o discurso de Nunes:



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Desigualdade educacional brasileira



Um olhar para o passado da desigualdade educacional brasileira

A desigualdade educacional é tema constantemente debatido, isto porque ela é vista por décadas no território brasileiro. Levantamentos feitos por Nelson do Valle Silva e Carlos Hasenbalg no artigo “Tendências da Desigualdade Educacional no Brasil” nos mostram as variantes que determinam essas diferenças: grupos de cor, de gênero, regiões e de renda per capita familiar.

A Tabela 1 mostra que a escolaridade média da população em 1976, na etapa final do chamado "milagre econômico brasileiro", era de apenas 3,8 anos de estudo. Na década seguinte esta média aumenta lentamente, em menos de um ano, passando para 4,5 anos em 1986. Nos doze anos seguintes a escolarização média cresce mais rapidamente, com uma elevação de 1,4 anos, chegando a quase 6 anos de estudos completos em 1998. Estes números indicam claramente que as cortes de idade mais jovens têm se beneficiado da expansão educacional ocorrida no país nas últimas duas décadas.”

Tabela 1
Anos de Estudo das Pessoas de 15 Anos ou Mais, segundo Cor, Sexo, Região e Quintos de Renda Familiar per capita
1976, 1986 e 1998

1976
1986
1998
Brasil
3,8
4,5
5,9
Brancos
4,5
5,4
6,8
Não-Brancos*
2,7
3,9
4,7
Ñ-B/B %
58,9
63,1
69,0
Homens
3,9
4,6
5,8
Mulheres
3,7
4,5
6,0
M/H %
94,9
98,0
103,6
Norte/Centro-Oeste**
4,5
4,8
6,0
Nordeste
2,4
3,1
4,5
Sudeste
4,5
5,2
6,6
Sul
4,0
4,8
6,3
Coeficiente de Variação
0,203
0,150
0,111
1
1,4
2,0
3,3
2
2,1
2,8
4,1
3
2,9
3,8
4,9
4
4,2
5,0
6,4
5
6,8
7,9
9,4
+20/-20
4,8
4,0
2,9
Fonte: Tabulações especiais das PNADs de 1976, 1986 e 1998.
* Não-Brancos inclui pessoas de cor preta e parda.
** Somente população urbana da Região Norte.

Observam-se medidas políticas adotadas durante o período analisado que diminuíram as diferenças entre as variantes. Contudo, a maior parte da melhoria é devida à mudança nas condições de vida e à distribuição geográfica das famílias, decorrente da urbanização e da transição demográfica, e a outra parte devem-se às melhorias efetivas no desempenho do sistema educacional.

Alguns  dados podem ser acompanhados pela população no site Todos Pela Educação (http://www.todospelaeducacao.org.br/), referentes a educação das cinco regiões brasileiras. Um dado interessante que encontramos é sobre a situação do percentual dos alunos que terminam o ensino médio aos 19 anos.  A tabela a seguir mostra por região a quantidade de alunos concluintes, dados do ano de 2011.

 Percentual dos alunos que terminaram o EM aos 19 anos

Norte
35,1%
Nordeste
41,4%
Sul
55,8%
Centro-oeste
58,4%
Sudeste
59,8%
  








Assim constatamos que a diferença do primeiro estado, Norte, com 35,1%, e do estado Sudeste, com 59,8%, é de 24,7%.  Esse valor é bastante significativo, e é reflexo das medidas governamentais de cada região e das condições de vida em que os alunos estão imersos.

São necessárias medidas políticas públicas específicas para problemas específicos, adequadas a cada caso, que possam garantir uma atuação mais estratégica para lidar com a aprendizagem de todos e o combate à desigualdade. Em qualquer sala de aula, esteja ele em qualquer região do país, seja ele de família de baixa ou de alta renda, nenhum aluno deve ter uma educação desigual em relação a outro aluno. Visto que o direito à educação de qualidade é universal e igual para todos